2008/10/16

O simbolismo do gato através dos tempos

Do magnífico site de documentação da Royal Canine retirei este princípio de um texto interessantíssimo acerca do simbolismo do gato através dos tempos, na parte que se refere ao Antigo Egipto. Se, apesar de ter citado a fonte, o autor do texto entender que devo retirá-lo, agradeço que me avise, e fá-lo-ei imediatamente.


"Se persistem algumas dúvidas quanto à data da aparição do Gato no Egipto, supõe-se que, por volta do ano 4 000 A.C., tenha sido domesticado pelos egípcios e convertido em caçador, em pescador e, especialmente, em rateiro, visto que os ratos se tinham tornado numa verdadeira praga para as colheitas. Esta função permitiu ao gato conquistar o respeito e a admiração passando, finalmente, a ser um deus tutelar da família.


O gato ascende, assim, ao nível de Totem (Myeo). Entrou no panteão dos deuses egípcios, primeiro com as feições do Deus Rá (o Sol), que todas as manhãs matava Apopis, a serpente deusa da Noite. Representou, ainda, Nafdet, a deusa destruidora de serpentes. Durante a XXII» dinastia, em Bubastis, o gato chegou mesmo a substituir a leoa nas suas funções de guardiã do Templo sagrado, por intermédio de Bastet, a deusa do amor. Também denominada Bast ou Pacht, esta deusa possuía cabeça de gata e era o símbolo da feminilidade, da flexibilidade, da sensualidade e da maternidade. Os sacerdotes da deusa Bastet observavam constantemente os mínimos gestos dos gatos do gatil sagrado, os quais eram interpretados como augúrios. Quando morriam, estes gatos eram embalsamados. No século XIX, foram descobertas centenas de milhares de múmias. Infelizmente, estas múmias não despertaram grande interesse e, como tal, acabaram por ser vendidas como fertilizante.


Um homem que, acidentalmente, matasse um gato estava sujeito à pena de morte. Contrariamente às crenças populares, os gatos eram mortos frequentemente. Contudo, esta tarefa estava reservada aos sacerdotes e aos trabalhadores dos gatis oficiais. Tratava-se, certamente, de uma forma não só de seleccionar e de impedir a superpopulação, mas, sobretudo, de oferecer um tributo à deusa.

De igual forma, Osíris, o deus das colheitas que recordava o Sol, também foi simbolizado pelo gato. Assim, o gato tornou-se simultaneamente símbolo lunar e solar. Hérodoto e Plutarco propuseram algumas explicações: as variação da pupila do gato estavam relacionadas com as proporções da altura do sol; o amor da gata pela lua; a sua actividade nocturna; os seus olhos fosforescentes à noite e a variação do diâmetro das pupilas recordavam, igualmente, as fases da lua. Foi, sobretudo, o símbolo lunar que perdurou através dos tempos.


O gato assumira um lugar de tal forma importante no seio da família que, por ocasião da sua morte, todos os membros rapavam as sobrancelhas em sinal de luto. Em caso de incêndio, era mais importante tentar salvar os gatos do que os humanos. Se não o conseguissem fazer, cobriam-se com as cinzas destes animais e desfilavam pelas ruas torturando-se.


O rei persa Cambises II ganhou a batalha de Pelusa porque os seus soldados empunhavam escudos aos quais tinham amarrado gatos. Como não queriam ferir os animais, os egípcios renderam-se.


As festas mais importantes, as Bubastidas, ti-nham lugar durante o segundo mês da estação das cheias. homens e mulheres desciam o Nilo dançando, rindo e cantando ao som de música. O Templo era, então, aberto a todos e a deusa era levada em procissão. Tratava-se, efectivamente, da celebração da deusa da fecundidade e protectora das colheitas."